Tire suas dúvidas sobre endoscopia e videocirurgia veterinária
Onde a endoscopia atua na medicina veterinária?
Ao contrário da medicina humana — onde o termo “endoscopia” se refere quase sempre ao sistema digestivo —, na medicina veterinária a atuação é mais ampla. O endoscopista veterinário pode investigar diferentes sistemas do corpo, como:
- Digestivo: esôfago, estômago, intestino
- Respiratório: nariz, garganta, traqueia e brônquios
- Urinário: uretra e bexiga
- Otológico: conduto auditivo até o tímpano
Esses exames permitem tanto o diagnóstico quanto a realização de procedimentos terapêuticos, de forma minimamente invasiva.
Como saber se meu pet precisa de endoscopia?
Geralmente, quem faz essa indicação é o veterinário clínico. Após o exame físico e a suspeita de alguma alteração que demande investigação interna ou intervenção mais precisa, ele pode encaminhar o pet para um especialista em endoscopia.
Em alguns casos, o exame é urgente. Em outros, pode ser agendado com tranquilidade, respeitando o preparo do paciente e a programação da equipe.
O exame exige anestesia? Tem risco?
Todos os procedimentos endoscópicos exigem anestesia geral ou sedação profunda, pois é necessário que o paciente esteja completamente imóvel para a realização segura do exame.
Como em qualquer procedimento anestésico, existe um grau de risco. Por isso, exames prévios — como avaliações sanguíneas e cardiológicas — são importantes para garantir a segurança.
O risco também pode variar conforme o estado de saúde do animal, o tipo de exame, a complexidade do procedimento e os cuidados pós-exame. Tudo isso é discutido de forma individual, com transparência e responsabilidade.
A endoscopia é invasiva?
Ela é considerada um procedimento minimamente invasivo, pois utiliza os orifícios naturais do corpo — como boca, nariz, ânus, uretra e ouvidos — para acessar os órgãos. Isso significa que não há cortes, o que reduz significativamente o trauma e acelera a recuperação.
Já a videocirurgia envolve pequenas incisões para inserção da câmera e dos instrumentos. Mesmo sendo uma cirurgia, ela é considerada também minimamente invasiva e muito menos agressiva do que os procedimentos convencionais. Devido à ausência de exposição e à manipulação reduzida dos órgãos internos, o procedimento acarreta menos dor, menor risco de complicações e cicatrizes mínimas.
É possível fazer biópsia durante a endoscopia?
Sim. Durante a endoscopia, é possível realizar a biópsia, que é a coleta de pequenos fragmentos de tecido diretamente das regiões avaliadas. Esse material é então enviado para um exame histopatológico, onde será analisado ao microscópio por um patologista veterinário.
Essa análise permite identificar inflamações, infecções, alterações celulares, tumores e outras doenças que nem sempre são visíveis a olho nu. A combinação entre o que vemos com a câmera e o que o laboratório identifica na amostra aumenta muito a precisão do diagnóstico — e ajuda a guiar o melhor tratamento.
A endoscopia também pode tratar?
Sim! Em vários casos, a endoscopia é terapêutica, ou seja, vai além do diagnóstico. É possível, por exemplo:
- Remover pólipos
- Fazer cauterizações
- Tratar estenoses
- Usar laser cirúrgico
- Aspirar secreções
- Aplicar medicamentos diretamente
Corpos estranhos podem ser removidos por endoscopia?
Sim — e na maioria dos casos, essa é a técnica de escolha. Objetos no estômago, nariz, ouvido ou vias aéreas podem ser removidos por endoscopia, sem necessidade de cirurgia aberta.
O aparelho possui pinças específicas que permitem puxar o objeto pelo mesmo caminho por onde ele entrou. Em situações mais complexas, como corpos estranhos em porções avançadas do intestino ou nas vias respiratórias, é necessário avaliar o caso com um endoscopista experiente.